Chinchilas: Animais Fofos Só Nos Filmes

Estava eu a tentar não ter mais ideias quando a minha chinchila mais velha, Mr. Grey – Pecanini para os amigos, começa a chiar que nem um doido. Olhei para ele, vendo-o apoiado nas patas traseiras e de bracinhos cruzados.
– Isto é um ultraje! – Disse ele, indignado. – Exijo que me dês mais nozes, sua forreta maluca!
Pisquei os olhos, confusa. O raio do bicho tinha-me chamado forreta e maluca?!
Abri a boca para lhe responder mas, a minha chinchila mais nova, Mrs. Badalhoca – Porquita para os amigos, começou a subir a gaiola, qual macaco na selva, chiando chinchilês.
– Para ela te dar mais nozes, a mim tem de dar mais bolachas – queixou-se ela.
Coloquei as mãos na cintura e ergui um sobrolho. As criaturas minúsculas e peludas só podiam estar loucas. Eu já lhes dava dois scupes de ração, cereais, nozes partidas e inteiras, feno e uma barrita de frutos. Se eu lhes desse mais alguma coisa, e elas comessem, transformar-se-iam em bolas de pêlo gigantes. As gaiolas, e a minha casa, podiam não aguentar tal acontecimento.
– Vocês estão doidos, certo? – Perguntei-lhes. – Qualquer dia, rebolam em vez de saltarem.
Mrs. Badalhoca pulou para o chão e postou-se como Mr. Grey.
– Não podes ser a única gorda cá em casa.
Calei-me sem saber o que dizer. Não ia mandar um bicho meu para um sítio feio. Pelo menos, por enquanto.
Respirei fundo.
– Eu não vou, repito, não vou dar-vos mais comida.
Mr. Grey atirou-se para o chão e esticou-se todo, qual morto.
– Vou morrer à fome! – Queixou-se.
Revirei os olhos. A sério que o meu bicho estava numa de actor?
Ainda bem que os Morangos com Açúcar acabaram, pensei.
– Tu não te alimentas só de nozes – lembrei-o, frisando bem o “só”. – Come ração que não morrerás.
Ele levantou-se e apontou para a tigela da comida.
– Estás a falar daquela porcaria que sabe a pêlo de cão?
– Não sabe nada! – Interrompeu Mrs. Badalhoca. Olhámos para ela. – Sabe mais a gato morto, cheio de vermes.
Fiz uma careta.
– Não sejam tão comichosos – pedi-lhes. Ambos semicerram os olhos para mim. – Isso não deve ser assim tão mau.
– Os humanos têm ração? – Perguntou Mrs. Badalhoca.
Ia dizer que não mas depois pensei na quantidade de vezes que fizera salsichas e atum.
– Sim, pode-se dizer que sim.
– E tu gostas? – Perguntou Mr. Grey, esperançoso que eu dissesse que não.
– Sim – menti. Encolhi os ombros. – Não é má.
Mr. Grey revirou os olhos e voltou-me costas e cauda.
– Para além de forreta e maluca também é mentirosa – resmungou.
Antes que eu lhe pudesse responder, Mrs. Badalhoca juntou-se às grades e colocou as patas dianteiras de fora da gaiola.
– Dona, por favor, dá-me uma bolacha – chorou ela.
Semicerrei-lhe os olhos, de novo.
– Não! Tens aí comida – disse e apontei para a tigela dela.
Retorcendo as patas para dentro, ela franziu os bigodes e desatou a chiar, parecendo uma sirene de ambulância num domingo de manhã.
– Vocês podem dar-me um momento de paz? – Perguntei-lhes, gritando por cima da chiadeira.
– Não! – Gritaram os dois ao mesmo tempo.
E pronto. Foi assim o resto da tarde.
Malditos bichos que eu adoro!

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