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ATENÇÃO!

(O texto abaixo é deveras lamecha. Recomenda-se aos mais emotivos lenços de papel ou pano. Não pagamos estragos electrónicos provocados por sucos nasais e bocais – ranho e baba).

Era uma vez uma menina que não sabia escrever. O português era algo de que não gostava e muito menos compreendia. Tantas letras, pontos, vírgulas; confusões para a sua cabeça.
Hoje, essa menina já editou dois livros, escreveu mais uns quantos e planeia outros tantos.
Era uma vez uma menina que passava os dias a escrever sem contar nada a ninguém. Toda a gente acusava os pais da menina de que eles lhe davam espaço demais; ela ia tornar-se numa delinquente.
Hoje, os pais dessa menina apoiam-na com tudo o que podem, e o que não podem, orgulhosos por lhe terem dado espaço suficiente para ela sonhar.
A menina quer ser escritora e não delinquente.
Era uma vez uma menina que, desde que entrou na escola, desiludira-se com o ensino. Aqueles que deviam ajudá-la, atrapalharam-na de tal maneira que ela perdeu dois anos. A menina ficou a odiar a escola e os professores.
Hoje, essa menina conheceu uma professora que a ajudou mais do que ela pode descrever e fê-la voltar a acreditar que nem tudo está perdido.
Era uma vez uma menina que pensava que ia acabar sozinha. Teimosa e refilona, ela achava que nenhum homem se iria interessar por ela. E, com os ouvidos cheios de “O teu sonho não vai chegar a lado nenhum”, a menina desistiu de relações sérias.
Hoje, essa menina está casada com um menino que, quando morrer, será condecorado santo por a aturar e que acredita no sonho dela.
Era uma vez uma menina que deu as suas obras para alguém ler. Ela pensava que os comentários iam ser negativos. Afinal, ela quase não conseguia tirar positiva a português; ela chumbara a português.
Hoje, essa menina tem uma fada-madrinha e um fado-tio que a apoiam e lhe dão força para continuar a alcançar o seu sonho de ser escritora.
Era uma vez uma menina que apanhou uma desilusão com uma editora. Aparentemente, tudo ia ser fácil de conquistar; tudo ia correr bem. Nada foi fácil e nada correu bem. A menina pensou que devia editar sozinha.
Hoje, essa menina tem uma editora que, para ela, é a maior do mundo. O seu livro está lindo. Ela não podia ter pedido melhor.

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